sexta-feira, 16 de setembro de 2011

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Os heróis da resistência (Os jurados dos festivais)

Desde que o mundo é mundo, sempre rola uma polêmica muito grande com relação ao júri dos festivais. Por mais honesto, íntegro, por mais que o regulamento seja perfeito, sempre haverá alguém pra se sentir injustiçado. É como diz a canção do Caetano: “Narciso acha feio o que não é espelho”. Ninguém gosta de perder, mas é inevitável. Pra alguém ganhar, alguém vai ter de perder. Por cada vitória, uma cabeça cai ( ou várias).Nos tempos iniciais o júri era integrado por notáveis da sociedade. Não exatamente pessoas que exercessem profissões ligadas à música ou a literatura, mas que tinham uma certa bagagem cultural, muitas vezes profissionais liberais, médicos, odontólogos, políticos, entremeados com professores, músicos, enfim. Com o tempo, se formos enumerar, teremos um número enorme de pessoas que nos agraciaram com seu trabalho totalmente voluntário. Pois bem! Integrar o júri dos festivais, em princípio parece uma honra. Há quem se sinta realmente feliz e homenageado, mas é uma pauleira só. Imagine você passar de 2...até 3 horas sentado, num frio de congelar os ossos, ouvindo e julgando 15 músicas por noite, algumas de ótima qualidade, outras mais amadoras?Eu já passei por essa experiência algumas vezes e garanto que não é fácil. Pra completar, os participantes são extremamente exigentes com o corpo de jurados. Ai daquele que se manifestar, que sorrir um pouco mais ao ouvir a música de algum concorrente, que olhar para o lado quando certos participantes estiverem se apresentando.O sujeito não tem o direito de piscar os olhos. Logicamente que existem alguns jurados que extrapolam, que erram a mão na bebida, que dão atenção exagerada a certos participantes que tentam fazer lobby para suas músicas, mas isso é exceção e não regra. Só pra exemplicar o que eu digo, da complicação que é lidar com o psicológico dos concorrentes, numa edição do festival, as notas eram dadas ainda com tabuleta. Os jurados levantavam a tabuleta com a nota. O Grupo, o Verde Terra estreiava nos festivais com a música “NÓS, OS LOUCOS”. Nas noites da eliminatória, somadas as notas, estávamos em primeiro lugar. Só que quando chegou nas finais, fizemos mais uma excelente apresentação. Porém um dos jurados levantou a tabuleta com a nota 5 , sendo que a maioria dos jurados nos deu notas bem maiores, entre 9 e 10. Aquela nota baixa, fez com que ficássemos em terceiro lugar. O jurado se justificou dizendo que deu aquela nota por achar que outra música merecia o primeiro lugar e se não fizesse isso, estaria sendo feita uma injustiça. Pra vocês verem como um jurado apenas pode mudar um resultado. Ficamos alguns meses chateados com o episódio, mas graças a Deus, depois daquilo tivemos uma trajetória vitoriosa e acabou virando uma lição pra gente. Curiosamente, notamos que os festivais passaram a abolir as tabuletas, que expunham os jurados demais. Em Monlevade os festivais também utilizavam as tabuletas. Lembro-me que vencemos um festival por lá com um ginásio lotado. Nas eliminatórias, ganhamos 10 de todos os jurados, fato que se repetiu na final, ou seja, todos já sabiam o resultado antes do festival acabar. De qualquer maneira, uma coisa é certa. Nunca vi um festival em que houvesse satisfação total com relação ao resultado. Sempre tem alguém pra gritar marmelada, pra achar que houve manipulação. Já houve por exemplo festival em que computadas as notas, certa participante faturou 3 dos principais prêmios. Foi tudo super-honesto, respeitadas as notas e tudo mais...mas vai convencer o pessoal?Já houve também casos de participantes que criaram verdadeiras teorias da conspiração e ao perder, juraram nunca mais voltar, dizendo que acontece isso e aquilo. Porém acho que podemos dizer uma coisa com orgulho: se o nosso festival está fazendo 30 anos é porque construiu essa credibilidade com muita lisura e honestidade. Tantos anos fazendo o festival já nos dá uma certa experiência, seja na formulação do regulamento, seja na condução dos processos, no sentido de buscar a justiça, valorizando os artistas e procurando sempre corrigir qualquer anomalia quando percebida. Importante que ressaltemos também que os jurados não recebem cachê. Muito pelo contrário. Quase sempre custeiam suas viagens ( quando de fora). Alguns que se consideram entendidos, ficam cobrando que sejam convocados apenas maestros, professores, pessoas especializadas mesmo. Só que isso é uma famosa faca de dois “legumes”.Logicamente, faz bem termos especialistas que dão mais credibilidade ao corpo. Mas por exemplo: um maestro de verdade, acostumado aos clássicos, à música de altas esferas, dificilmente vai gostar de rock, de axé, do sertanejo e até de muita coisa da MPB. Assim como uma pessoa muito versada em literatura, em poesia da melhor qualidade, não terá parâmetros para julgar letras de músicas, que nem sempre tem esse compromisso de rigor literário.Mas voltando aos jurados em geral, temos muito a agradecer a cada um deles. Peço encarecidamente aos festivaleiros que respeitem a todos, pois são verdadeiros heróis da resistência. Mais uma vez quero homenagear os pioneiros como Fred Ozanan Barcelos, Luiz Viola, Edmundo, Ana Therezinha, Zé Sylvio, Neguinho, Ilderaldo, Júlio Papa, Manoel, Marcelo Xuxa, Mário Emílio, Juninho, além dos representantes da nova geração. E vamos seguir em frente. Daqui a mais 30 anos, estaremos de novo comemorando o 60º Festival da Música em Alvinópolis.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

UNIVERSIDADE FESTIVAL DE ALVINÓPOLIS


Não me canso de dizer que o Festival de Alvinópolis foi a minha faculdade. Os diplomas, são os troféus que tenho na sala da minha casa em Alvinópolis e que meu pai e minha mãe orgulhosamente expuseram. Desde os primeiros festivais, assisti a quase todos . Só não fui ao primeiro, que aconteceu em 1976 quando eu ainda tinha 12 anos de idade. Foram anos e anos assistindo a fina flor da música mineira desfilando pelos palcos Alvinopolenses. Por incrível que pareça, a maioria ficou anônima, mas não tem problema. Na realidade, a história é feita pelos anônimos. Alguns, por questões que só alguém lá de cima pode explicar se destacam, mas mesmo os eleitos, tem de se espelhar em alguém. Artistas como Gil damata, Marco Holanda, Cristina Vale, Grupo Ave, Primo e Fanuel, Sergio Seidel e Carlos Gerson, Nilson Chaves, Bauxita, Milton Edilberto, Zé Beto entre outros não ficaram famosos por umas dessas fractais estradas do destino que não os conduziram ao tal lugar certo na hora certa. Mas nós Alvinopolenses tivemos a sorte de assistir a esses artistas fenomenais em sua melhor forma. Hoje vejo uma meninada muito nova montando bandas e participando. Isso me alegra e muito. Infelizmente os festivais não pipocam tanto pelo estado com nos idos anos 80, mas pelo menos em nossa pequena Alvinópolis ainda há espaço para os compositores novos, para as novas idéias, para a criatividade. Existem sempre aqueles que insistem em dizer que festival não traz voto e não levam grandes públicos. Mas será que tem de ser assim? Será que tudo nessa vida só vale se der dinheiro ou voto? Pois eu digo que realmente o festival não é pra grandes massas descerebradas. O festival é pros músicos, pros jovens afim de exercitar sua arte e para aqueles que tem paciência e mente aberta para ouvir novas canções, degustar boas letras, boas poesias. Agora, se você não se enquadra nesse perfil, tem trocentas cavalgadas, micaretas e outras festas lhe esperando todo final de semana em qualquer lugar.

sábado, 8 de agosto de 2009

Entrevista Christina Paz - VENCEDORA DO FESTIVAL


Vencedora do 29º Festival da Canção de Alvinópolis

Por Marcos Martino e Gjúnior

1 - Como você ficou sabendo do Festival de Música de Alvinópolis?

Através do site Festivais do Brasil.


2 - Já tinha ouvido falar desse Festival?

O de Alvinópolis não; apenas o de Tatuí, quando lá estive em 2001.

3 - Qual foi sua primeira impressão sobre a cidade?

Muito simpática e acolhedora, e um astral muito bom; senti um compromisso muito forte com a música de qualidade. E isso é muito positivo porque vai formando platéia consciente e formando opinião, principalmente a partir do público mais jovem.

4 - Foi bem recebida?

Sim. Devo dizer que desde o dia em que o Marcos Martino me enviou o primeiro email me informando da minha classificação para o Festival. Foi a minha primeira impressão mesmo ainda não estando in loco. Fui muito bem recebida por todos mesmo, sem exceção, quando ali cheguei. Por isso , escolhi participar do festival de Alvinópolis, mesmo tendo sido classificada em outros dois nos Festivais, que aconteceriam na mesma data.

4 - Conte um pouco da sua história para os nossos visitantes.

Vou tentar resumir ao máximo a minha trajetória.

Iniciei minha vida musical aos 7 anos de idade,quando ganhei meu primeiro piano acústico, e comecei a tocar o instrumento. Fiz audições na ABI (Associação Brasileira de Imprensa-RJ), ainda menina. Cursei teoria musical e piano no Conservatório Brasileiro de Música (RJ). Quando adolescente, participei de eventos de teatro e música no Colégio Estadual , onde estudei, na zona norte do Rio. Já na fase adulta,fui aluna do pianista Luiz Eça (o memorável pianista do Tamba Trio), do violonista Carlos Delmiro (irmão de Helio Delmiro, violonista da Elis Regina, Milton Nascimento,etc.), quando conheci e convivi musicalmente com nomes famosos da MPB: Cristóvão Bastos, Moacyr Luz, Paulo Russo, João Nogueira, o célebre Bené Nunes, Mauro Diniz, para citar alguns.

Não parei de praticar aulas de canto, e as professoras Carol McDavit e Vera do Canto e Melo foram sempre minhas orientadoras nessa área, durante muitos anos. Fui backing vocal de Tim Maia, e da cantora Rosemary. Compus e gravei jingles para cinema e rádio, e trilhas para teatro infantil. Estudei arranjos vocais com o maestro Marcos Leite , e arranjos instrumentais com Roberto Gnatalli. Fui sócia-gerente e diretora artística do antigo selo musical KIWI, quando produzi vários artistas nacionais (dentre eles o Lúci -Luciano Maurício, guitarrista da Cássia Eller-).

Como cantora realizei shows em São Paulo (cidade, litoral e interior), no Rio de Janeiro (cidade e interior), em Belém, Cuiabá, Curitiba,Porto Alegre, e em Michigan ,nos Estados Unidos. Integrei o célebre grupo vocal madrigal Guanabara,logo que comecei a freqüentar aulas de canto e técnica vocal, em 1977. Participei de óperas no Rio de Janeiro, produção do Conservatório Brasileiro de Música, e promoção da Prefeitura do Rio. Fui regente assistente para o Projeto Orquestra de Vozes Meninos do Rio, por dois anos consecutivos, promovido também pela Prefeitura. Gravei e lancei meu primeiro cd solo, intitulado "Dançando no Salão", em 2001/02, no qual tive as participações especialíssimas dos meus amigos Jorge Vercillo e Sergio Loroza. Além disso, conclui o curso de bacharel e licenciatura em Educação Musical pela Uni-Rio, em Letras pela UFRJ, em Pedagogia de Estilos de música-vocal, pela Voiceworks Associate Program de Lisa Popeil ( Los Angeles-USA). Como tecladista, toquei em cerimônias e festas de casamento. Fui pesquisadora de música semi-erudita pelo CNPq, durante dois anos. Ganhei alguns prêmios de menção honrosa e edição em poesia, nos concursos promovidos por Christina Oiticica, nos anos 80.

Atualmente, na área do ensino musical,ministro aulas de música-vocal, teclado em música popular, musicalização de adultos e crianças;realizo direção vocal em CD , e em shows, o que inclui orientação e escolha de repertório e performance; e workshops de Percepção Musical para Dança em geral. E para finalizar, assino a idealização, a direção geral e a seleção do repertório do cd "Cantar Pra Viver", que homenageia o compositor Guadalupe da Vila, que será lançado brevemente.

5 - Fale-nos sobre o Guadalupe e sua ligação com a Vila Isabel.

Guadalupe da Vila, meu tio, irmão de minha mãe, foi instrumentista, intérprete e cantor, poeta e compositor, falecido em 2004. Foi artista de destaque, consagrado pelo mundo do samba, e com profundas raízes em Vila Isabel , no Rio de Janeiro, onde seu nome se misturou com a sempre distinta cultura artística do tradicional bairro carioca, lugar onde nasceu no ano de 1923. A propósito , quase toda a família da minha mãe nasceu no bairro,

inclusive eu.

Resgatar a obra, do Guadalupe , com o respeito merecido, mostrando sua importância para a música popular brasileira, é o principal objetivo do meu CD intitulado "Cantar Pra Viver", que ainda será lançado, apenas aguardando investidores culturais em potencial. Guadalupe da Vila compôs sozinho grande número de canções, e também em parceria com alguns renomados autores - dentre eles o Dunga- , autor da famosa "Conceição", que consagrou Cauby Peixoto. Foi integrante da Primeira Ala de Compositores da Velha Guarda da G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel, ao lado de Martinho da Vila, Luis Carlos da Vila, Davi da Vila, Jonas da Vila, Irani Olhos Verdes, dentre outros.

Criou músicas que visitam diversas nuances do samba: de enredo, de quadra, de roda, choro, canção, partido alto, além dos boleros e baladas românticas tradicionais. Ele também compunha sambas de quadra e de enredo para outras Escolas, tais como Portela, Salgueiro,e Escolas de outros estados. O acervo das obras musicais do autor gira em torno de trezentas composições, que começaram a ser resgatadas a partir desse cd "Cantar Pra Viver", por mim idealizado.


6 - Fale um pouco sobre os músicos que tocaram com você.

Graças a Deus, durante tantos anos que estou na carreira musical ( vinte e poucos anos), todos os músicos que me acompanham gostam de tocar comigo e eu com eles. Temos sempre muita empatia, simplicidade, pontualidade, disciplina e responsabilidade em tudo que decidimos fazer; trocamos "muitas figurinhas" para que a sonoridade desejada saia exatamente como pensamos e elaboramos. A nossa convivência se estende além dos shows, dos ensaios e das gravações. Na medida do possível nos falamos sempre.

Os quatro músicos, que me estiveram comigo no Festival de Alvinópolis, são excelentes como pessoas e como músicos.

São eles: Higor Nunes (cavaquinho); Paulo Rocco ( contra-baixo); Kiko Chavez (violão 6 e 7 cordas) e Renan Nunes ( bateria). Com exceção do Kiko, que é mineiro de Almenara, os outros são cariocas como eu. Agradeço muito a eles por estarem comigo nessa jornada, e é com muito orgulho que divido com eles o meu sucesso.

7 - Como é o atual ambiente musical do Rio de Janeiro ?

Existem festivais no estado de vocês ?

Eu vivi, frequentei os antigos Festivais da Canção na Cidade do Rio de Janeiro, realizados no Maracanãzinho, e lamento muito que eles tenham deixado de existir. Toda aquela sinergia, aquela receptividade do público com os artistas eram evidentes. Fui testemunha ocular e auditiva de grandes nomes da nossa MPB que foram consagrados a partir desses eventos, e que permanecem até os dias de hoje no cenário musical brasileiro, sem perder o seu estilo e a sua essência. Sei que a conjuntura daquela época era muito diferente da atual, mas contudo, tínhamos produção intelectual e artística de qualidade. Na minha opinião, esse é o ponto crucial que a nova versão dos Festivais do Brasil vem resgatando, bravamente, ao longo desses poucos anos: promovendo, fomentando e estimulando as artes: musical, literária, a dança, artesanatos e cada segmento da manifestação da expressão humana, em toda a sua amplitude. Quanto às novas edições de Festivais no Rio, devo dizer que está acontecendo a 2a. Edição do Festival de Sambas de Quadra, promovido pela Light (empresa de energia elétrica do RJ); e um outro intitulado "XI Festival Nacional de Voz e Violão, que acontecerá em Maricá, na região dos Lagos, litoral norte do Estado do Rio de Janeiro. Tomara que aconteçam mais eventos como esses, em outros municípios do Estado, a fim de que tenhamos mais incentivos para a nova produção cultural brasileira.

8 - Você acha que o samba evoluiu com o tempo ou se banalizou com o sucesso comercial do pagode ?

O samba, como gênero musical, é uma das mais fortes expressões da nossa brasilidade. O pagode é uma das diversas variantes do gênero samba, e que se for bem feito, não será considerado banal, não. Dependerá sempre do compositor, a música ser boa ou não; é uma relação "criador e criação". O fato é que a maioria das pessoas desconhecem a linguagem musical de maneira geral, e aqui especificamente com relação ao pagode, logo não sabem distinguir entre um e outro.

A confusão musical se instala, a brecha fica aberta, o que é "prato feito" para o "banalizador" oportunista. Quanto menos conhecimento mais banalização. Infelizmente, é isso que está presente em todos os segmentos profissionais da sociedade, atualmente. O tal do oportunismo sempre foi uma doença grave no nosso meio, e acaba por difundir o banal em detrimento daquilo que tem valor verdadeiro. Aliás, qualquer situação em qualquer momento está suscetível à banalização, ou não.

Como educadora musical, posso sinalizar que há um antídoto para atenuar significativamente essa situação no âmbito musical, porém a longo prazo: fornecer conhecimento nessa área é formar platéia, formar público , formar opinião, resgatando valores essenciais para o próprio indivíduo e para a sociedade. Brevemente, a educação musical no ensino regular das escolas vai voltar mas não em moldes antigos, e sim com uma nova concepção, e que beneficiará a formação geral do educando, do futuro cidadão. Portanto, uma vez bem formado, informado e capacitado para discernir, o público saberá exercer seu direito de escolha com lucidez e embasamento para aquilo deseja ouvir e ou consumir. Estará conscientemente imune a qualquer tipo de imposição ou sugestão oportunista, de onde quer que proceda.


9 - Qual o balanço você faz do Festival e o que pode melhorar pro ano que vem?

As músicas apresentadas foram de alto nível mesmo. Fiquei muito feliz em poder participar de um certame assim. É um ótimo sinal de que a boa música está sendo produzida, e está acontecendo efetivamente.

Parabéns para Alvinópolis, e para os organizadores.

Isso muito me alegrou. Aproveitando o ensejo, quero fazer um elogio à logística da técnica de som: equipamento de PA, o de palco foram excelentes, e os operadores também, além de bons profissionais, pessoas muito solícitas.

Parabéns, Toni e Amintas !

Quanto à melhoria para o próximo ano, gostaria de pontuar duas questões: em primeiro lugar, a disponibilidade de camarins para os concorrentes e seus músicos, isto é, um local resguardado da friagem, do sereno e do vento, uma espécie de "backstage", ou então que o evento fosse realizado num Teatro.

E em segundo lugar , seria a respeito do horário do evento, que a organização do Festival possa estabelecer um horário mais cedo para a sua realização.

10 - O que mais gostou na cidade?

Do calor humano, da hospitalidade, da solicitude, da simpatia, da simplicidade, do empenho que as pessoas demonstram para realizar o melhor de si em prol da Cidade.

Agradeço aos responsáveis pelo Festival, ao site Alvinews pela oportunidade e deixo aqui meu grande abraço a todos. E até breve, se Deus quiser.

Contato : www.christinapaz.com.br

A PROPÓSITO DO FESTIVAL 2009 - ESCRITO POR VANDERLEI LOURENÇO


UM ASTRO DO ROCK’N ROLL

Vanderlei Lourenço


"- O que você mais gosta na música?

- Para começar, tudo."

Diálogo entre William Miller e Russell Hammond no filme "Quase famosos"

Último final de semana de julho e Alvinópolis, como aconteceu nos últimos 29 anos da nossa história, transformou-se. A capital da música rendeu-se a ritmos variados e, em cena, a grande vedete das três noites de festival. Incomum, como tudo o que diz respeito a essa pequena grande cidade, já considerada um celeiro na vida cultural do Estado, a colcha de retalhos musical revelou-se tecida pela riqueza de ritmos que ia do sertanejo ao samba, da bossa nova ao forró, passando pela melhor tradição da Música Popular Brasileira, para desaguar nas composições algo ainda ingênuas nas letras, mas com impressionante força melódica, da novíssima geração, cujos pulmões estavam a serviço do mais legítimo rock’n roll.

Ainda bem que os futuros astros do rock forjados em minha cidade fazem questão de declarar que, não obstante aventurar-se pelos caminhos do ritmo mais identificado com a rebeldia típica da adolescência, essa fase de descobertas em que estagiam, rejeitam o estereótipo que, tradicionalmente, dá-se ao roqueiro. "Eu sou roqueiro. Não sou viciado", cantava o vocalista da Banda Case, sagrada melhor intérprete do evento.

Bom que seja assim, já que as lendas roqueiras acostumaram-se a deixar exemplos pessoais de vida pouco edificantes. Que o digam os artistas brasileiros Raul Seixas, Cássia Eller e Cazuza, para focar nos mais recentes, que, talentosos que foram, continuam a viver em nossos aparelhos de som, Ipod e mp3.

O último teve a vida contada no filme "Só as mães são felizes", um exemplo de excessos que precisa ser evitado. Dos astros internacionais, a tela grande esmerou-se em revelar a intimidade dos integrantes do "Sex Pistols", considerada a banda mais influente da história do rock. O filme "The Great Rock’n roll swindle", de 1980 (dois anos após o fim da banda) chocou moralistas, a família real britânica e, até mesmo os fãs. Em outro momento, no ano 2000, foi lançado o documentário "O lixo e a fúria" que, em uma de suas cenas mais chocantes, mostra o baixista da banda, Sid Vicious coletando água de um vaso sanitário para misturar com heroína!
"The Doors", de 1991 é outro filme a mostrar a trajetória de uma banda de rock, influência marcante da década de 60. Iggy Pop, Bruce Springsteen, Eddie Vedder, entre outros, declararam-se influenciados pelos "Doors", cujas letras, em sua maioria composta por Jim Morrison (vivido no cinema por Val Kilmer que, mais tarde encarnou o "Batman), traziam influências diversas, inclusive de Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire. O filme mostra as muitas nuances do grande astro que foi Jim Morrison: o homem que todas as mulheres desejavam e que todos os homens queriam ser. O poeta dos excessos. Não faz muito tempo, li uma matéria que afirmava que, ate hoje, o túmulo de Morrison continua sendo um dos mais visitados do cemitério onde está enterrado em Paris, tendo ganhado, inclusive, segurança reforçada por causa do vandalismo dos fãs mais exaltados. Todos os anos, uma multidão passa por lá.

Recentemente, em 2004 foi lançado o filme "Ray", a biografia de Ray Charles, o garoto negro, filho de lavadeira do interior da Flórida. Ray Charles era cego desde os seis anos de idade e foi mais um astro a unir o talento musical à heroína. Sua vida rendeu um filme e tanto, com uma interpretação fantástica do ator Jamie Foxx (premiado com o Oscar de melhor ator pela interpretação) e uma trilha sonora magnífica, que, por isso mesmo, dispensa maiores comentários.

De tudo o que foi dito até aqui, merece ressaltar que poucos, no mundo do rock, sobreviveram a essa mistura de drogas e sexo fácil, adicionando-se uma dose de prisões, seis casamentos, dois filhos afogados e uma noiva de treze anos de idade, vamos visualizar um pouco da vida de Jerry Lee Lewis, "A fera do rock", filme lançado em 1989. Ele é considerado um dos fundadores e a última lenda viva do rock, com shows agendados no Brasil no próximo mês de setembro.

Seguindo o roteiro, Jerry Lee Lewis nasceu em uma cidade pobre no estado da Louisiana, nos Estados Unidos. Seu primo e melhor amigo na infância viria a se tornar o pregador evangélico Jimmy Swaggart, famoso na década de 80, um dos primeiros evangelizadores da TV, tradicionalista defensor da família, que foi flagrado com prostitutas e protagonizou um dos grandes escândalos da época.

Jerry Lee Lewis foi da mesma gravadora de Elvis Presley e Johnny Cash e tornou-se um fenômeno na década de 50, o espírito mais adolescente entre os adolescentes da época. Chutar o banquinho do piano para tocar em pé, subir no instrumento, pisar e sentar em suas teclas é comum para o músico. Já chegou, até mesmo, a incendiar o piano no palco e foi preso por tentar invadir a casa de Elvis Presley de madrugada porque "pressentiu" que Elvis "estava se sentindo sozinho".

Aprontou até desaparecer. Ostracismo, bebidas e todo tipo de droga, prisões e uma úlcera perfurada. Teria, inclusive, atirado e matado o baixista de sua banda depois de uma apresentação. Sumiu.

Reapareceu em 1989, com o lançamento de "A fera do Rock", título em português do filme "Great Balls of Fire", seu maior sucesso.

Em setembro será a segunda vez que Jerry Lee Lewis virá ao Brasil. Esteve aqui em 1993 e deu entrevista bêbado no programa do Jô Soares. Parece que os shows que tinha agendado, ele não conseguiu completar, de tão bêbado. Espera-se que, desta vez, seja diferente. Até porque ele está em sua melhor forma. O álbum que lançou em 2006 foi extremamente bem recebido pelo público e crítica norte americanos, e recebeu colaboração de Mick Jagger e Keith Richards, Ringo Starr, Eric Clapton e B.B. King.

Os biografados relatados nesse artigo foram e são verdadeiras lendas do rock, tiveram vida sofrida e viveram de excessos que, infelizmente, ceifou a vida de quase todos. E, inclusive por isso, fornecem material para boas obras.

Mas, biografias à parte, o melhor filme já feito, até hoje, sobre o rock é uma obra de ficção. Chama-se "Quase famosos" e foi lançado no ano 2000. Partiu da experiência do seu diretor Cameron Crowe, que foi repórter da revista "Rolling Stone", considerada "a bíblia" do rock. O personagem principal, Willer Miller, alter- ego do diretor é um garoto de quinze anos, apaixonado por rock’n roll, que tem a chance de acompanhar a banda "Stillwater", durante uma turnê, para escrever sua primeira reportagem. É, por incrível que pareça, um filme tocante.

Assisti entre risadas e torcida e, ao final, ficou aquele gostinho próprio daquilo que é bom, um gosto de "quero mais". Aí está a narrativa da era de ouro do rock, quando os envolvidos ali estavam, única e exclusivamente, pelo prazer da música, antes que o interesse nos lucros passasse a dominar a cena musical.

A sensibilidade e a reverência à música com que o filme foi feito, faz com que ele seja mais do que a história de um adolescente aprendendo sobre o que a vida tem de melhor e de pior (como poderia parecer em princípio), para transformar-se em uma pequena obra-prima da sétima arte. Em "Quase famosos" todos são companheiros, a droga não prejudica e o foco não é a promiscuidade sexual, comum nos demais filmes citados acima. E, porque ele é diferente?

Talvez porque a ficção costuma ser, quase sempre, melhor do que a realidade.

terça-feira, 28 de julho de 2009

RESENHA SOBRE O FESTIVAL 2009 - MARCOS MARTINO


Os colaboradores


O festival 2009 só aconteceu por causa do trabalho de Alessandro (AM Sistemas), Ronilson Bada, Marina, Nita, Clara, Mariângela, Sérgio Augusto, Prefeito João Galo Índio, Jovelino, Marcelo Xuxa, Rogério Martino, Vanessa, Ana Therezinha, Tatá, Bicoquinho, Carlos Alexandre, Maélio, Ítalo, Eliana, Admilson Barriginha, Juninho Alvinews, Dimdão, Maria Thereza (Jornal A NOTÍCIA regional), Joãozinho(Alternativa), Sidney(Alvimonte), Tony e Amintas(som), Samuel(promoshow)...


Os patrocinadores


O Festival 2009 só aconteceu por causa do suporte da Prefeitura Municipal de Alvinópolis, Fundação Casa de Cultura, Cia Fabril Mascarenhas, Ester Sanches, Banco do Brasil, AM Sistemas, Infotech, Jornal Bom Dia e site Cidade Mais, Site Alvinews, Site Portal Alvi, Hotel São Geraldo, Bar do Dolfo, Nicks Bar(Nô e Taninha), Renan...


Sobre o curtíssimo prazo


Começamos a pensar o festival com relativa antecedência, chegamos a elaborar projeto, criamos logomarca, porém, ficamos esperando uma verba federal que infelizmente não saiu. Isso foi uma ducha fria em nosso projeto, já que o prefeito havia deixado claro que a prefeitura não teria como disponibilizar um valor muito alto, já que passava por uma situação de crise, com sucessivas quedas de arrecadação. Quando faltavam apenas 30 dias para a data estipulada, com toda sinceridade eu já havia jogado a toalha, mas eis que recebi um telefonema do Doda, chefe de gabinete do prefeito, me perguntando quanto seria o mínimo que a prefeitura teria de disponibilizar para realizar o festival. Após alguns minutos o próprio prefeito Galo Índio me telefonou, dizendo que não iria deixar de apoiar o festival de jeito nenhum. Expus a ele que o prazo era muito pequeno para abrir inscrições e divulgar. Ele me perguntou se eu topava o desafio de fazer mesmo assim, pois não queria em hipótese alguma deixa a chama Se apagar. Eu respondi que sim, mas que teríamos de trabalhar dobrado. Assim, começamos a trabalhar nos orçamentos e na captação de inscrições. Haveria apenas 20 dias de inscrições abertas, quando o normal são 60 . Para completar, o Site Festivais do Brasil, um dos maiores veículos de divulgação junto aos artistas estava sob ataque de vírus. Isso num momento em que estávamos experimentando pela primeira vez as inscrições via internet. Mas graças a Deus, aos poucos as inscrições foram pingando e chegamos ao final a um número razoável de 56 inscrições, com músicas de várias partes do país.


A pré seleção


Ao procedermos a seleção de músicas ficamos muito satisfeitos com o alto nível das músicas inscritas, principalmente com a qualidade e diversidade das músicas de Alvinópolis. Prova disso é que entre as 24 classificadas haviam 9 músicas de artistas locais.


Eliminatória de sexta-feira


Não me lembro de uma eliminatória de sexta-feira mais calorosa que a deste ano.

Com a presença no palco de tantos artistas Alvinopolenses, as famílias estiveram presentes e todos ficaram muito surpresos com a qualidade dos artistas locais. O clima foi tão positivo que pensei comigo: Meu Deus, tomara que as coisas continuem com essa energia.


Eliminatória de Sábado


Em todos os festivais o sábado é reservado para os artistas de fora, principalmente das cidades mais distantes. A categoria das composições foi reconhecida por todos, que elogiaram a qualidade das músicas. Só faltou um pouco mais de calor humano e houve uma certa indiferença do público, que foi quebrada na hora da música MEUS SONHOS de Ana Carolina.


Domingo – dia da grande final


A cidade esteve muito movimentada no domingo. Pela manhã, o ultimo dias das Santas Missões Populares movimentou a rua de cima e trouxe à cidade fieis de várias cidades. Depois, foi a vez da Bike Fest, com largada as 11 horas da manhã, com ciclistas de todas as partes do estado. Às 19 horas aconteceu o sorteio da ordem de apresentações e as 20:30 o show de abertura do Grupo Ellus da FUNCEC de João Monlevade. Para mim foi uma emoção especial, pois fizeram um arranjo maravilhoso da minha composição Do outro lado do Espelho, que me deixou arrepiado e até me lembrou que sou compositor. Bom...mas vamos ao festival em si. A finalíssima transcorreu com muita agilidade e as músicas foram desfilando uma a uma, algumas com apresentação melhor que nas eliminatórias e outras com rendimento inferior. O Público respondeu muito bem, demonstrando sua aprovação com muitas palmas e até torcida organizada para algumas músicas.


A Reunião do Júri e a somatória das notas


Como vem sendo há anos nos festivais de Alvinópolis, o critério adotado foi de observar a pontuação dos primeiros colocados à partir da somatória das notas. Assim, do 1º ao 6º lugar o critério adotado foi realmente de premiar os que obtivessem as maiores notas..

Já os demais prêmios foram definidos em reunião com o júri, quando cada jurado votou em sua favorita nas categorias propostas.


Polêmicas


Muitos advogam que se uma música da cidade obteve mais votos, seria natural que faturasse também o prêmio de melhor da terra. No entanto, pelo exposto anterior, a votação das categorias desconsidera a pontuação numérica e pergunta aos jurados qual a sua escolha para definir as premiações. É normal que os jurados optem por aquelas que ainda não foram premiadas, até como forma de distribuir melhor os prêmios e contemplar mais concorrentes.


Prêmio Melhor da Terra


Talvez seja a hora de abolirmos o prêmio de melhor ou destaque da terra, criado para que os artistas locais possam ganhar algum prêmio, já que até alguns anos atrás, era muito difícil uma banda local concorrer de igual pra igual com os concorrentes de fora. Porém, a situação está se nivelando e o nível alcançado foi alto.


Denúncia à respeito da música “POR AMOR” da Cristina Paz


Muitos denunciaram o fato da música da Cristina ser muito ouvida na internet e de ser considerada comercial. Acontece que no regulamento não existe nenhum impeditivo quanto a isso e a música ainda nem foi gravada comercialmente.


Outros prêmios a serem criados


Muitos reclamaram que a cantora Ana Carolina, de Brasília mereceria melhor sorte. Realmente ela foi muito bem e foi a artista que conseguiu maior empatia com o público. Se houvesse um prêmio de Música mais comunicativa ou preferida do público, ela poderia ter se sagrado vencedora. Outro quesito a ser considerado seria Melhor Arranjo. Nesse caso, talvez a música Mares de Espanha, com violino e grande arranjo poderia também faturar um prêmio. Mas são coisas a se pensar para o futuro.



Opiniões pessoais


Gosto, cada um tem um. As opiniões são as mais diversas, cada um tem suas favoritas e se você perguntar ao pessoal, sempre vai haver uma ou outra diferença com relação ao resultado. Para que tenham uma idéia, no momento em que desci do palco veio uma pessoa em minha direção e falou: "que absurdo um samba ganhar o festival, isso não é música de festival". Se você for perguntar para cada jurado, individualmente, tenho certeza também que o resultado seria diferente. Mas a escolha do júri é democrática e reflete o conjunto da diversidade. De qualquer maneira, não vou me omitir. Se fosse eu sozinho a julgar, o resultado seria o seguinte: Em relação ao primeiro lugar eu também gostei muito do samba da Cristina Paz. Gostei da letra, da divisão diferente e da categoria dos músicos. Já com relação ao segundo lugar, eu preferia a canção Distante do Verde da Terra, que deu um baita orgulho de ver uma banda local capaz de competir com grandes chances de vitória em qualquer festival. Se eu fosse a turma, pensava em compor mais músicas e participar em outros festivais, fazer shows, enfim. Para o terceiro lugar, minha escolha seria a música Pela Cidade de Chico Bread, pela melodia sinuosa e pela categoria do velho menestrel que continua compondo muito bem depois de 26 anos de ausência. Para o quarto lugar eu também concordo com Marinho San e seu Efeito Estufa, uma harmonia pra lá de elaborada, que não é pra qualquer um. Em quinto lugar eu colocaria a canção Mares de Espanha de Fábio Loyola e o sexto ficaria mesmo com a canção Sertões da solidão, de Maquicilon com Thiago e Admilson. Minha melhor letra ficaria com Oração à vida. Melhor intérprete seria a Carol. Melhor da terra eu ficaria mesmo com Cristian, que tem uma excelente presença de palco e também mandou muito bem. Para o prêmio revelação, eu dividiria o prêmio entre as bandas CASE e SISTEMA CONFUSO. Merece menção honrosa também a banda PONTO MORTO, com uma turminha novinha que subiu no palco pela primeira vez e não fez feio e a dupla Mariana e Julia, que tenho certeza, irão se preparar e no ano que vem farão mais bonito ainda. Merecem ainda menções as bandas Simulacro, que também mostrou grande evolução e Vovó Piluca, que se apresentou muito bem. De uma forma geral, os artistas locais se prepararam muito bem e ninguém fez feio.


Quebra de paradigmas


Pelo que eu saiba, foi a primeira vez que uma música sertaneja sagrou-se vencedora em um festival em Alvinópolis. Thiago, Admilson e turma inscrevem seus nomes definitivamente na história dos nossos festivais. Abre-se uma perspectiva muito interessante que deverá se aprofundar nos próximos anos


Os shows paralelos


O show de abertura, com a orquestra de flautas da banda Santo Antonio foi puro encantamento. Baita orgulho pra nós também essa centenária escola de música e cidadania.

Um grupo da banda também formou o grupo Elas e Ele, tocando clássicos da música popular.

Pequenos números de dança também aconteceram.. A Marina e a Clara, mentoras da festa da chita, puseram em ação sua turma e trouxeram mais alegria e diferenciais, com vários números de dança.

Outro show que fez grande sucesso e encantou a todos foi o grupo Ellus e João Monlevade, que tocou grandes sucessos com seu belíssimo vocal feminino, fazendo inclusive uma homenagem a esse que escreve, com uma emocionante interpretação de Do outro lado do espelho.

Pra completar, teve shows com Vovó Piluca, Fator Alma, Thiago e Admilson e Raízes do Samba, do distrito do Gravatá. Todos receberam cachês, uma forma também de incentivo.


SOBRE OS HOMENAGEADOS


Desde o ano passado, a Mariângela instituiu, com muito acerto, as homenagens especiais com premiações de ouro, prata e bronze. Esse ano chamamos simplesmente de mérito cultural, pois haviam muitos a homenagear. Com muita justiça, foram agraciados o Sr. Adriano Coelho, presidente da banda Santo Antonio, essa centenária instituição musical da cidade, Geraldo Magela Jr, o Juninho, criador do Alvinews, pioneiro site da cidade, depositário de grande acervo cultural da cidade e Esther Sanches, patrocinadora e benemérita na cultura local.


DIVULGAÇÃO


Para captação de inscrições, penso que funcionou muito bem, tanto que captamos 56 inscrições em menos de 20 dias.

Conseguimos divulgar nas rádios CBN em Belo Horizonte, Inconfidência, Itatiaia através do João Vitor Xavier, Rádio Alternativa, Alvimonte, Tropical de Dionísio, Jornal Estado de Minas, o Tempo, Bom dia e A Noticia em João Monlevade, Impacto de Monlevade, Sites Alvinews, Portal Alvi, Cidade Mais, vários blogs, Orkut e redes de email.

Para o festival em si é que a divulgação foi considerada deficitária.

Divulgamos bem pela internet, mas segundo nos foi informado, ainda é pequeno o contingente populacional que tem acesso à rede.

Divulgamos bastante nas rádios: Alternativa e Alvimonte, mas muitos afirmam também que não tem o hábito de ouvir rádio.

Temos de avaliar com quais as mídias a gente consegue de verdade atingir e informar o público alvinopolense. Aliás, cabe muito bem uma pesquisa nesse sentido.


SOBRE PALCO, SOM E LUZ e TELÃO

O Palco foi conseguido emprestado da Prefeitura de São Domingos do Prata. Foi satisfatório. A prefeitura devia até pensar em mandar fazer um palco semelhante. Bons marceneiros é que não nos falta. Poderia ser um palco modular, que pudesse ser formatado em vários tamanhos, para diversas ocasiões.

Mais uma vez, Clara e Marina deram um show, com uma decoração pra lá de especial, que deu um outro brilho ao festival.

O Telão do Ronilson também foi importante, ao disponibilizar entrevistas, videos culturais da cidade, clips, transmissão ao vivo, enfim, muito conteúdo que deu mais brilho ainda ao festival.

A sonorização e luz foram um show à parte. Poucas vezes se viu um som tão perfeito, com equipamento digital moderníssimo. Mas o grande diferencial mesmo estava nos que operavam o equipamento. Aminthas e Tony são pessoas muito especiais, extremamente simpáticos e educados para tratar todo mundo. Em minha opinião equipamento é importante, porém mais importante é quem está por trás desse equipamento.


SOBRE PERSPECTIVAS FUTURAS


No ano que vem teremos o FESTIVAL 30 ANOS. Será fundamental que trabalhemos com grande antecipação se quisermos fazer algo realmente marcante. Proponho que comecemos a pensar desde já, projetando um cronograma e buscando patrocínios nunca antes buscados.

Para isso, será fundamental que a Fundação Casa de Cultura defina rapidamente o seu organograma e passe a pensar de forma integrada.

domingo, 19 de julho de 2009

CENA MUSICAL ALVINOPOLENSE - FESTIVAL 2009


Ao procedermos a seleção das músicas do Festival de Alvinópolis, foi gratificante notar o quanto a nossa cena musical está rica e borbulhante de novos valores. Fiquei muito feliz com o que ouvi e resolvi fazer uma resenha do que observei sobre os nossos artistas.

Julia e Mariana – grata surpresa – a Mariana tem uma voz muito afinada que lembra Paula Toller e Adriana Calcanhoto. A letra de ”O que todos querem”, da compositora Alyne é direta e sincera. Maquicilon, Admilson e Thiago Santos – Admilson e Thiago já formam uma dupla sertaneja de sucesso na noite Alvinopolense, se apresentando também em cidades vizinhas. Admilson, também conhecido com Pixico, chegou inclusive a buscar horizontes maiores, participando do programa Ídolos, do SBT. Novidade para mim foi a presença do Maquicilon, conhecido na cidade como talentoso marceneiro, também manda muito bem tocando baixo. A música deles é bem no estilo sertanejo e fala dos retornos as origens, da vida natural que está sendo engolida pela tecnologia.

A banda Ponto Morto é da novíssima geração do festival. O grupo está começando e aposta numa musicalidade meio rock, meio funk, A letra de “Pedindo até a alma” é bem no estilo rock and roll.

A banda Sistema Confuso também é outra grata revelação. Traz uma letra interessante e uma cantora muito segura. O nome da cantora é Alessandra. Tô curioso para ouvir a música com a banda completa.

Thulio Silveira já é quase um veterano. Com a banda Fator Alma, vem faturando seguidamente prêmios de melhor letra em festivais, sempre com textos filosóficos e políticos. Desta vez apostou num tema mais bucólico e compôs “Distante do Verde da Terra”, uma música que dá margem à belos arranjos vocais. Fico com grande expectativa do que ele e seus competentes amigos vão aprontar.

Rato é o vocalista do Porão 71 e compôs uma canção que fala sobre a dureza da vida, das dificuldades, da miséria longe de casa, dos amigos, da desesperança. “O inferno é aqui” é uma canção hiper realista e deverá confirmar a força interpretativa do Rato e o peso do Porão, a mais veterana da bandas Alvinopolenses.

O Vovó Piluca é outra banda “Vovó” que deverá mostrar ao público a sua evolução nos últimos anos. Os Pilucas vem interpretando a música “Liberdade” e prometem incendiar a praça com seu Rock pra lá de energético.

A banda Simulacro é outra boa surpresa. Com expressa influência da banda Radiohead, Felipe Vieira e sua turma trazem o Rock Progressivo “Felizes para sempre”.

A banda Case, também optou pelo Rock tradicional. Os meninos da banda gostam tanto de Rock que o nome da música do compositor Thayson é Meu Triunfo é o Rock and Roll. Seu vocalista tem um agudo interessante e a banda tem grande potencial de crescimento.

Merecem ser citadas ainda 3 músicas, que embora não tenham sido inscritas como de Alvinópolis, são de pessoas que tem raízes por aqui.

A primeira é da música MONTA DE FEITOS, que é de Junior Alvarenga, Alvinopolense que hoje reside em Monlevade.

Outra música é Meus sonhos, inscrita à partir de Brasília, mas cuja intérprete Ana Carolina tem raízes Alvinopolenses.

A terceira é a música “Vem cá, moreno”, de Kênia Prímola, que é filha de Nicolau Prímola e prima de Márcia Prímola, também nascidos em Alvinópolis.

Alguns artistas são mais experientes e não terão grandes dificuldades. Outros são muito novatos e terão de enfrentar o nervosismo inicial. A todos eu indico ensaiar, ensaiar, ensaiar e ensaiar. Depois, disciplina no dia do show e muita atenção para observar e aprender com os veteranos. Ah...e esportiva também para aceitar os resultados. O Júri não conspirará para favorecer ninguém em especial. Que vença o melhor...mas que todos façam o seu melhor.